Poesia migranteEsta é uma poesia migrante, pra quem não vive onde nasceu. A gente saiu do ninho e se construiu em outra árvore. O peito aperta com a perda. A presença vira chamada pelo celular. A gente chora, dorme, mas não sonha. A gente procura colo e encontra o sofá vazio. A vontade é voltar pra casa — mas será que a casa ainda quer a gente? A gente voa feito passarinho que sai do ninho e sofre as perdas aqui de longe. A vontade é arrumar as malas, mas a gente pode deixar tudo pra trás outra vez? Nos mandam pra casa — não essa que a gente construiu longe, mas aquela que a gente deixou. Dizem que são nacionalistas, e que a gente veio roubar. Eu lhes digo: xenófobos, afinal, eu vim estudar. Penso que não deveríamos ter deixado nosso lar. Se é pra sofrer na vida, que não seja no meio do mar. Olham, gritam e nos mandam calar. De acá me vou. Aqui não encontrei felicidade. Aos gritos me mandam embora — pois lhes obedeço. |
Publicado em: ANTOLOGIA LITERÁRIA / Anfêmero poético – Projeto Unificação de Autores. Rio Claro - SP: UNY Editora, 2020. 1a Ed. 90 Págs.
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