Azul da cor do mar*
Em meio ao caos e à loucura que me circunda, Decidi pintar uma parede. Verde militar ou, talvez, verde musgo. Que nem a Cantada do Ferreira Gullar. Entre muitas coisas perdidas em um sótão, encontrei uma tinta azul.
Azul-escuro.
Azul cor da noite.
Comecei a pintar, não a parede inicial, mas outra, aleatória.
Enquanto pintava, veio à mente a história de Delírio, de Laura Restrepo.
Antes de enlouquecer, Agustina sempre começava a pintar seu apartamento.
Tal como eu faço agora.
Se não me falha a memória, Agustina escolhe também o azul.
Pincel sobe, pincel desce.
A parede que antes era branca vai-se fazendo de outra cor.
A minha mente que era sã, vai-se tornando velha e louca*.
Daí me chegou a memória: durante suas internações psiquiátricas, o famoso Van Gogh usou o azul.
A Noite Estrelada.
Eu, que não sou pintora e não vivo na França,
Termino usando o azul dentro do mesmo vértice onde muitos enlouqueceram.
Provavelmente meu próximo passo é em direção ao manicômio.
Com uma lata de tinta e uma máquina de escrever.
Velha e louca*: https://www.youtube.com/watch?v=f7UBDGt8VK8
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