Quanto amor existe nas palavras escritas?

Quantas verdades cabem nas cartas de amor? Penso nisso enquanto leio as cartas escritas em tempos de promessas, quando o amor ainda acreditava em eternidade. Quantas verdades resistem depois do amor, quando as palavras já não pertencem mais ao mesmo corpo que as escreveu?

Fico a imaginar quais sentimentos permaneceram inteiros, fiéis ao que foram, e quais se dissiparam com o tempo, fugazes, leves, quase supérfluos, como poeira lançada ao vento. Quanto amor ainda resta nessas linhas amareladas? Quanta verdade sobrevive ao fim de uma paixão?

Talvez o desejo tenha sido transferido ao papel, como quem busca um refúgio. Talvez o silêncio se tenha prolongado apenas para que a dor aprendesse a descansar.

E então me pergunto: o amor deixou de existir? Ou continua vivo, disfarçado em palavras, nas cartas esquecidas e que foram testemunhas de um tempo em que amar parecia possível para sempre?


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