¿ y Bogotá qué?
Saí de casa correndo pra pegar o elevador. Já tinha acordado enfezada. Apertei com a raiva o botão e nada do elevador vir.
Já tinha completado oito anos na cidade “gris”. Diziam os colombianos que era a cidade do progresso. Eu sempre achei tudo isso um saco.
Nesta linda e “hermosa” cidade ninguém sabe o nome de ninguém. Ninguém respeitava ninguém.
Desci do elevador e encontrei o café abarrotado de gente. Encontrei uma mesinha no fundo, pareceu um lugar calmo, abafado, afastado desta gente que eu tanto odeio. Sentei, abri o computador e a mesa ao lado fazia tanto barulho que não me deixou se concentrar.
– Queridos colombianos – disse eu
– Malparidos – pensei.
Senti saudades de casa. Aquela casa com quintal, céu azul e pouca chuva que eu abandonei por amor.
O amor tinha se escafedido e eu tinha me fudido.
Tive que ficar. Já tinha o visto, o emprego e vergonha de voltar.
O visto tinha sido danado que só pra conseguir.
Foi custoso conseguir todos os documentos.
Ainda que eu tivesse meio biruta. O que eu ia fazer?
Enlouquecer? Não dá, não pode.
Fechei o computador.
Sorri para a moça que gritava ao lado com seu insuportável sotaque bogotano.
Es un gusto vivir aquí - pensei.
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